As novas exigências levaram a Cargill, uma das maiores exportadoras de soja do Brasil, a interromper temporariamente os embarques do grão para o mercado chinês nesta quinta-feira (12).
Novas exigências da China impactam exportações de soja brasileira e levam à devolução de cargas
O ritmo de negociações envolvendo soja nos portos brasileiros diminuiu nesta semana após a adoção de novos protocolos fitossanitários exigidos pela China. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (13) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). As mudanças têm afetado diretamente os embarques destinados ao principal comprador da commodity no mundo.
De acordo com a análise do Cepea, as novas exigências sanitárias impostas pelo país asiático já resultaram na devolução de algumas cargas de soja que estavam destinadas à exportação. A situação trouxe incerteza ao mercado e fez com que parte dos agentes comerciais reduzisse o ritmo de operações internacionais.
O impacto foi significativo a ponto de levar a Cargill, uma das maiores tradings agrícolas do mundo e principal exportadora de soja do Brasil, a suspender temporariamente os embarques para a China. A informação foi confirmada nesta semana pelo presidente da companhia no país, Paulo Sousa, em entrevista à agência Reuters.
Regras mais rígidas preocupam exportadores
Segundo representantes do setor na China ouvidos pela Reuters, o reforço nos controles fitossanitários está atingindo diretamente as remessas de soja brasileira e pode comprometer o fluxo de abastecimento do maior importador global do grão. A China responde por cerca de 70% das exportações brasileiras de soja, o que torna qualquer mudança regulatória relevante para o comércio internacional da commodity.
Outras grandes empresas exportadoras preferiram não comentar o tema publicamente e orientaram que as consultas fossem direcionadas às entidades representativas do setor.
Em nota divulgada na quinta-feira (12), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirmaram que acompanham a situação com atenção.
“Estamos acompanhando, de forma atenta e com preocupação, os recentes desdobramentos relacionados aos embarques de soja destinados ao mercado chinês”, disseram as entidades.
Governo acompanha a situação
O Ministério da Agricultura e Pecuária informou nesta sexta-feira que as exportações brasileiras de soja e derivados seguem os protocolos sanitários definidos pelos países importadores. A pasta ressaltou que o Brasil mantém diálogo constante com autoridades internacionais para garantir o cumprimento das normas e evitar impactos no comércio.
Especialistas avaliam que situações como essa são comuns em grandes mercados agrícolas, especialmente quando países importadores reforçam regras sanitárias para controle de pragas, resíduos ou padrões de qualidade.
Mercado interno ganha espaço
Diante das incertezas sobre os novos protocolos, parte dos agentes do mercado passou a priorizar negociações dentro do próprio país, reduzindo temporariamente o volume de contratos voltados à exportação.
“Diante dessas incertezas, alguns agentes passaram a priorizar negociações entre regiões do mercado interno, em detrimento das exportações, até que haja maior clareza sobre as novas exigências”, afirmou o Cepea em sua análise.
Preços seguem firmes
Apesar da redução no ritmo das exportações, os preços da soja no Brasil registraram leve alta ao longo da semana. Segundo indicadores do Cepea, as cotações nas regiões do Paraná e do porto de Paranaguá subiram 0,9% e 1%, respectivamente, entre os dias 5 e 12 de março.
A valorização no mercado internacional ajudou a sustentar a chamada paridade de exportação, mecanismo que relaciona os preços internos aos valores praticados no mercado global.
Analistas destacam que o Brasil segue como o maior produtor e exportador mundial de soja, e eventuais ajustes nos protocolos sanitários costumam ser negociados entre autoridades dos dois países para evitar interrupções prolongadas no comércio.
Ainda assim, o setor acompanha o tema com cautela, já que qualquer restrição prolongada por parte da China pode impactar diretamente o fluxo de exportações e a formação de preços no mercado brasileiro.



