Com apoio de Lula, Alckmin e Edinho Silva, ex-ministro assume a missão de enfrentar Tarcísio em 2026 e tenta transformar a disputa paulista em peça-chave da campanha nacional petista
O PT oficializou na noite de quinta-feira, 19 de março, a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, em um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. O lançamento reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente nacional do partido, Edinho Silva, num evento tratado como o pontapé formal da campanha petista no principal colégio eleitoral do país.
Em discurso de tom combativo, Haddad afirmou que não disputa eleição para “barganhar”, mas para ganhar, e procurou afastar a tese de que estaria entrando numa corrida difícil apenas por dever partidário. O ex-ministro disse que pode haver derrota eleitoral, mas não derrota política, e defendeu que o campo progressista entre no embate com projeto, convicção e lado definidos.
A fala de Haddad buscou dar dimensão maior à disputa paulista. Ao longo do evento, o petista associou sua candidatura à necessidade de sustentar a reeleição de Lula e de recolocar São Paulo em sintonia com o governo federal. O discurso também foi atravessado pelo cenário internacional e pelo argumento de que o país precisa de uma liderança capaz de enfrentar um ambiente global mais instável e polarizado.
Lula reforçou esse enquadramento político ao apresentar Haddad como uma das “melhores pessoas” do partido para a eleição e afirmar que ele está preparado para governar São Paulo. O presidente ainda transformou o ato em palanque nacional ao declarar que será candidato à reeleição e ao defender que a disputa de 2026 será, para o PT, uma batalha direta contra a extrema direita.
Nos bastidores, a aposta petista é que Haddad una densidade administrativa, recall eleitoral e vínculo direto com Lula para tentar quebrar a hegemonia da direita no estado. A candidatura, porém, nasce sob pressão. Pesquisa Datafolha divulgada em 8 de março mostrou Tarcísio de Freitas com 44% das intenções de voto em um cenário de primeiro turno contra Haddad, que aparece com 31%, indicando uma largada difícil para o ex-prefeito da capital.
Mesmo assim, o PT decidiu transformar a disputa paulista em prioridade estratégica. Mais do que tentar recuperar o Palácio dos Bandeirantes, o partido quer usar São Paulo como vitrine da campanha nacional de Lula e como campo simbólico de confronto entre dois projetos políticos. Ao se lançar, Haddad deixa claro que pretende disputar não apenas um cargo, mas o protagonismo de uma das batalhas mais importantes da eleição de 2026.


