Indicação de Jorge Messias ao STF perde força no Senado e tende a ficar para depois das eleições.

Auxiliares de Lula avaliam que AGU ainda não reúne apoio suficiente para passar pela sabatina; impasse já dura quatro meses .

A oficialização da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal tende a ser adiada para depois das eleições, segundo avaliações de bastidores em Brasília. Nesta sexta-feira (20), o anúncio não oficial do nome completa quatro meses, mas o Palácio do Planalto ainda não enviou ao Senado a mensagem presidencial necessária para dar início formal ao processo.

A demora reflete um cálculo político. De acordo com relatos publicados pela imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sofrido pressão de aliados e de ministros do Supremo para destravar a escolha, mas auxiliares defendem que a formalização seja adiada porque, no cenário atual, Messias ainda não teria o quórum considerado seguro para ser aprovado na sabatina e na votação do Senado.

Nos bastidores, a principal preocupação do Planalto é evitar um desgaste político maior em torno de uma indicação ao STF. A leitura de interlocutores é que o ambiente no Senado segue instável e pouco favorável, o que aumentaria o risco de uma tramitação tumultuada para um nome que, embora seja próximo de Lula, ainda enfrenta resistências entre parlamentares influentes.

O impasse não é apenas simbólico. Segundo a CNN Brasil, a vaga aberta no Supremo já deixou mais de 900 processos sob relatoria provisória, o que amplia a pressão institucional para que o presidente conclua a escolha e envie formalmente a indicação ao Congresso. Ainda assim, o governo tem preferido segurar o movimento diante do receio de derrota política ou de uma aprovação apertada, cenário visto como indesejável para um ministro da Corte.

Pelo rito constitucional, a indicação só começa a tramitar de fato quando Lula encaminha a mensagem ao Senado. Depois disso, cabe ao presidente da Casa receber o nome e remetê-lo à Comissão de Constituição e Justiça, onde ocorre a sabatina, antes da votação final em plenário. O próprio presidente da CCJ, Otto Alencar, já afirmou que não é possível projetar data para a análise enquanto essa etapa inicial não for cumprida.

Enquanto espera uma definição do Planalto, Jorge Messias intensificou a agenda de conversas com senadores numa tentativa de melhorar a receptividade ao seu nome. Reportagens publicadas desde janeiro mostram que o ministro da AGU retomou visitas e articulações políticas, inclusive durante o recesso, numa espécie de ofensiva para reduzir resistências e mostrar viabilidade da candidatura à Suprema Corte.

Mesmo com esse esforço, o cenário continua delicado. A CNN informou em fevereiro que a decisão de Lula de não formalizar imediatamente a indicação buscou justamente evitar o risco de rejeição no Senado — algo inédito na história recente do STF. A resistência de parte dos senadores, segundo a reportagem, foi alimentada também pela preferência de setores do Congresso por outros nomes para a vaga.

Em meio a esse quadro, a tendência de empurrar a definição para depois das eleições ganhou força nas últimas semanas. Reportagem do R7 publicada em 12 de março mostrou que Lula planejava discutir o tema reservadamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mas que aliados do senador demonstravam ceticismo quanto à falta de clima político para levar Messias ao Supremo naquele momento.

Assim, a indicação que parecia encaminhada passou a ser tratada como um problema político a ser administrado com cautela. Quatro meses depois do anúncio informal, o governo ainda calcula custos, mede forças e tenta evitar que uma escolha para o STF se transforme em derrota pública no Senado. No momento, a avaliação predominante em Brasília é que Lula só deve avançar quando enxergar um caminho claro para aprovação — e isso, hoje, parece mais provável apenas depois do calendário eleitoral.