De racionamento disfarçado a semana escolar reduzida, governos ao redor do mundo tentam conter impacto da guerra no bolso da população
A disparada nos preços do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio tem levado governos de diferentes partes do mundo a adotar medidas emergenciais — e, em alguns casos, bastante incomuns — para conter os efeitos da crise energética sobre a inflação e o custo de vida.
No Brasil, ações como redução de impostos, subsídios ao diesel e apoio financeiro a setores afetados foram implementadas pelo Ministério da Fazenda. Mas o país está longe de ser o único: segundo levantamento da Agência Internacional de Energia (AIE), ao menos 39 países já colocaram em prática estratégias para enfrentar o aumento dos custos de energia.
Enquanto algumas nações seguem o caminho mais tradicional — como cortes de impostos e subsídios — outras foram além, adotando medidas que interferem diretamente no cotidiano da população. Em Bangladesh, por exemplo, o uso de ar-condicionado foi limitado a temperaturas acima de 25°C, além do fechamento de universidades e restrições no abastecimento de combustíveis.
Já na Coreia do Sul, autoridades chegaram a impor restrições à circulação de veículos com base no número da placa, além de incentivar grandes empresas a reduzirem o consumo de energia. Em Laos, a semana escolar foi reduzida de cinco para três dias como forma de economizar recursos.
Medidas de racionamento indireto também aparecem em países como o Egito, onde prédios públicos passaram a encerrar atividades mais cedo para cortar o consumo de energia, e na Tailândia, que incentiva o trabalho remoto e limita viagens para reduzir o uso de combustíveis.
Na Alemanha, o controle chega ao nível de preços, com limitação no reajuste de combustíveis a apenas uma vez por dia. Já na França e no Reino Unido, o foco está no apoio direto a setores estratégicos e consumidores mais vulneráveis.
Apesar da diversidade de estratégias, o objetivo é comum: conter a inflação, proteger o crescimento econômico e evitar impactos sociais mais profundos. Especialistas avaliam que, no caso brasileiro, os efeitos são parcialmente amortecidos pelo fato de o país ser exportador de petróleo e possuir alternativas como os biocombustíveis.
Ainda assim, a dependência de importações de diesel e querosene de aviação mantém o Brasil exposto às oscilações internacionais — um cenário que, assim como no restante do mundo, segue exigindo respostas rápidas e, por vezes, fora do padrão tradicional.



