Governo Lula chama tarifa dos EUA de decisão ideológica e acusa gestão Trump de agir de má-fé

Itamaraty afirma que houve mais de 30 contatos com autoridades norte-americanas e rebate alegação de falta de negociação O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “ideológica” e “política” a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A avaliação foi divulgada nesta quinta-feira (16), um dia […]

Itamaraty afirma que houve mais de 30 contatos com autoridades norte-americanas e rebate alegação de falta de negociação

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “ideológica” e “política” a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A avaliação foi divulgada nesta quinta-feira (16), um dia após o anúncio oficial do governo norte-americano.

Integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty afirmam que a medida teve motivação política e contestam a justificativa apresentada por autoridades dos Estados Unidos de que o Brasil não teria buscado negociar um acordo antes da aplicação das tarifas.

Governo brasileiro afirma que negociações ocorreram em diversas frentes

Segundo o Itamaraty, foram realizados mais de 30 contatos com representantes do governo norte-americano desde o início das discussões sobre as tarifas.

As conversas ocorreram em diferentes níveis — presidencial, ministerial e técnico — por meio de reuniões presenciais, videoconferências e contatos telefônicos.

A diplomacia brasileira informa que somente com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, foram registrados 11 contatos, todos iniciados pelo governo brasileiro.

Cenário mudou após visita de Flávio

Marco Rubio e Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/Redes Sociais/@FlavioBolsonaro

A percepção é que o cenário se mostrava favorável às negociações após o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump na Malásia e ainda melhor após o encontro entre os dois em Washington.

Porém, nas últimas semanas, esse cenário mudou depois do encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump.

Desde então, embora tenham acontecido novas reuniões (alto nível e nível técnico), como a desta semana e a da semana passada, os americanos não se dispuseram a responder ao encaminhamento proposto pelo Brasil e ainda apresentaram questões “inegociáveis” — como mudanças no PIX e moratória para plataformas digitais. E ainda desconsideraram todos os argumentos sobre o combate ao desmatamento.

Brasil vê decisão como previamente definida

Na avaliação do governo federal, a decisão dos Estados Unidos já estaria encaminhada desde o ano anterior, quando o presidente Donald Trump enviou uma carta ao presidente Lula.

Assessores do governo afirmam ainda que a equipe norte-americana teria utilizado argumentos considerados sem base técnica para justificar a aplicação das tarifas.

Mudança no cenário das negociações

De acordo com integrantes do governo, as negociações apresentavam avanços após encontros entre Lula e Donald Trump realizados durante compromissos internacionais e posteriormente em Washington.

Entretanto, segundo a avaliação da diplomacia brasileira, o cenário mudou nas últimas semanas. O governo afirma que, mesmo após novas reuniões de alto nível e encontros técnicos, os Estados Unidos deixaram de responder às propostas apresentadas pelo Brasil.

Ainda segundo o Itamaraty, temas considerados “inegociáveis” pelos norte-americanos passaram a integrar as discussões, incluindo mudanças relacionadas ao sistema PIX, plataformas digitais e outros assuntos considerados fora do escopo comercial.

Brasil prepara resposta com base na Lei de Reciprocidade

Após a confirmação das tarifas, o governo brasileiro classificou a decisão como “lastimável” e informou que iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, mecanismo que permite ao Brasil adotar medidas em resposta a restrições comerciais impostas por outros países.

O governo brasileiro também reiterou que continuará defendendo seus interesses comerciais por meio dos canais diplomáticos e dos instrumentos previstos na legislação nacional e nos acordos internacionais.