Celebrada em 1º de outubro, data valoriza a bebida e os profissionais do setor; tipo de grão, torra, moagem e armazenamento influenciam o resultado do preparo.
Presente no café da manhã, nas pausas do trabalho e nas conversas entre amigos, o café ganha uma celebração mundial nesta quinta-feira, 1º de outubro, Dia Internacional do Café.
A data destaca a diversidade da bebida e reconhece os milhões de agricultores e profissionais envolvidos em sua produção.
A Organização Internacional do Café (OIC) definiu a celebração em março de 2014, com o objetivo de estabelecer um dia comum para reunir os apreciadores da bebida em diferentes países.
Além da qualidade e dos sabores, a iniciativa chama atenção para o trabalho de quem depende da cafeicultura para viver.
Café chegou ao Brasil no século XVIII
A relação brasileira com o café atravessa gerações.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os primeiros pés de café no país foram plantados em 1727, provenientes da Guiana Francesa.
Desde então, o cultivo passou a integrar a história econômica e os hábitos cotidianos do Brasil. Mas, apesar da familiaridade com a bebida, existem diferenças importantes entre os produtos disponíveis e os modos de prepará-los.
A escolha do grão, o ponto de torra e a moagem são algumas das etapas que ajudam a determinar o sabor que chega à xícara.
Arábica, conilon e robusta: entenda os nomes
Entre as espécies de maior importância comercial estão a Coffea arabica, conhecida como arábica, e a Coffea canephora, à qual pertencem os cafés conilon e robusta.
Os produtos podem utilizar grãos de uma única espécie ou misturas, chamadas de blends. Essas combinações são elaboradas de acordo com o perfil de aroma e sabor desejado.
O nome da espécie, entretanto, não explica sozinho a qualidade da bebida. No caso do conilon, a Embrapa ressalta a importância dos cuidados em toda a cadeia, desde o cultivo e a colheita até o armazenamento, a torra e a moagem.
Torra e moagem mudam o resultado
A torrefação desenvolve as características de aroma e sabor do café. Por isso, diferentes pontos de torra podem produzir experiências distintas, mesmo quando se utiliza a mesma matéria-prima.
A moagem também precisa ser adequada ao equipamento e ao método escolhido. Não existe uma única moagem ideal para todas as formas de preparo.
O tamanho das partículas interfere na extração dos componentes do café durante o contato com a água.
Assim, mudar a moagem sem ajustar o preparo pode alterar o equilíbrio da bebida, tornando-a mais amarga ou menos aromática.
Coado e espresso utilizam processos diferentes
No café coado, a água atravessa o pó e passa pelo filtro, que retém as partículas. A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) orienta distribuir o pó uniformemente, sem apertar ou compactar a camada.
Já o espresso utiliza água sob pressão para extrair a bebida. Seu preparo depende da combinação entre moagem, quantidade de café, temperatura, pressão e tempo de extração.
Essas diferenças ajudam a explicar por que um mesmo café pode apresentar características distintas conforme o método utilizado. O equipamento e a maneira de preparar fazem parte do resultado final.
Armazenamento ajuda a preservar aroma e sabor
O cuidado com o café continua depois da abertura da embalagem. Segundo a ABIC, o produto moído perde qualidade com a exposição ao ar, à umidade, ao calor e a odores externos.
A recomendação é manter o café na própria embalagem, dentro de um recipiente bem vedado, protegido dessas condições. Também é importante observar a data de fabricação e o prazo de validade.
Para o preparo, a entidade orienta utilizar água limpa, preferencialmente filtrada ou mineral, e ajustar a proporção de pó e água ao método e ao gosto pessoal.
Celebração reconhece quem está por trás da bebida
O Dia Internacional do Café também é uma oportunidade para olhar além da xícara. Agricultores, trabalhadores do processamento, torrefadores, baristas e comerciantes participam do caminho percorrido pelo produto até o consumidor.
A OIC destaca que a celebração busca valorizar essa diversidade e apoiar os produtores cuja renda depende do cultivo. Conhecer a origem do café e experimentar diferentes preparos são maneiras de perceber o trabalho e as escolhas que dão identidade à bebida.
