Habeas Corpus: Marjorie Estiano e Any Gabrielly destacam falhas da Justiça em nova série da Netflix

Habeas Corpus: Marjorie Estiano e Any Gabrielly destacam falhas da Justiça em nova série da Netflix

Produção aborda condenações injustas, erros judiciais e os dilemas de quem busca reparar decisões que podem ter levado inocentes à prisão

A série “Habeas Corpus”, primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix, coloca no centro da história um dos temas mais delicados do sistema de Justiça: a possibilidade de condenações injustas e os impactos provocados por erros judiciais. Protagonizada por Marjorie Estiano e Any Gabrielly, a produção acompanha personagens que precisam lidar com questões jurídicas, dilemas morais e conflitos pessoais.

Marjorie interpreta Inez Franco, professora de Direito e ex-advogada criminalista que reúne um grupo de estudantes para revisar o processo de um jovem condenado por um crime que afirma não ter cometido. Já Any Gabrielly vive Marina, uma das estudantes envolvidas na investigação e que possui uma relação pessoal mais complexa com o caso.

A série tem oito episódios e foi lançada pela Netflix em setembro. A história é inspirada no trabalho do Innocence Project Brasil, organização dedicada à investigação e à reversão de condenações consideradas injustas.

Atrizes mergulharam no universo jurídico

Para interpretar personagens inseridas no universo do Direito, Marjorie e Any precisaram se familiarizar com termos jurídicos, procedimentos e situações que fazem parte da rotina de profissionais da área.

Marjorie contou que o processo de preparação envolveu contato com advogados, visitas a fóruns e estudo sobre o funcionamento das diferentes etapas da Justiça. Segundo a atriz, compreender a complexidade do sistema foi fundamental para construir Inez.

Any também destacou o peso do tema abordado pela produção. Para a atriz, a série permite levar ao público uma discussão que muitas vezes permanece distante do cotidiano de quem não acompanha o funcionamento do sistema judicial.

Uma personagem cheia de contradições

Marina, interpretada por Any Gabrielly, não é apresentada como uma personagem totalmente fácil de defender. A estudante possui razões pessoais que explicam algumas de suas atitudes, mas também toma decisões moralmente difíceis.

Durante entrevistas sobre a produção, Any reconheceu justamente essa característica da personagem. Marina utiliza a mentira como uma forma de lidar com situações que marcaram profundamente sua vida, criando conflitos tanto dentro do grupo de estudantes quanto em sua relação com Inez.

Essa construção permite que a série vá além da tradicional disputa entre “certo” e “errado”. As personagens precisam tomar decisões diante de situações em que justiça, vingança, culpa e responsabilidade acabam se misturando.

A inspiração em casos reais

Embora os personagens e a trama sejam ficcionais, “Habeas Corpus” utiliza como uma de suas principais referências o trabalho realizado pelo Innocence Project Brasil.

A organização atua em casos nos quais existem indícios de condenações injustas e busca mecanismos jurídicos para revisar essas decisões. A inspiração trouxe para a série questões relacionadas às consequências de uma condenação equivocada e às dificuldades enfrentadas por pessoas que tentam provar sua inocência depois de já terem sido julgadas.

Para as protagonistas, esse contato com histórias reais ajudou a dimensionar a responsabilidade de representar situações que podem afetar profundamente a vida de uma pessoa.

Série transforma debate jurídico em drama

Ao utilizar a investigação de uma condenação como eixo principal, a produção combina o universo jurídico com relações pessoais e conflitos entre os personagens.

A história também questiona até que ponto o acesso à Justiça ocorre de maneira igual para diferentes pessoas e quais são as consequências quando falhas acontecem durante um processo.

Com Marjorie Estiano e Any Gabrielly nos papéis centrais, “Habeas Corpus” utiliza o formato de drama para apresentar ao público questões relacionadas ao funcionamento da Justiça brasileira e às consequências humanas de decisões judiciais que podem precisar ser revistas.