Entre praias lotadas e sirenes de ataque: o contraste de Odessa, o balneário de luxo que resiste à guerra na Ucrânia
Enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia continua a provocar mortes e destruição, Odessa mantém uma rotina que desafia a lógica do conflito. Conhecida como a “Pérola do Mar Negro”, a cidade reúne praias movimentadas, restaurantes cheios e intensa atividade turística, mesmo sob o risco constante de bombardeios, mísseis e drones. O cenário revela um contraste marcante entre o lazer típico do verão e a ameaça permanente da guerra.
Turismo segue intenso mesmo sob ataques frequentes
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Na praia, há avisos sobre a presença de minas explosivas
Odessa continua sendo um dos destinos turísticos mais procurados da Ucrânia. Apesar das sirenes de alerta tocarem diversas vezes ao dia e dos ataques russos atingirem diferentes pontos da cidade, praias, bares e restaurantes permanecem lotados durante a temporada de verão.
A movimentação impressiona visitantes que buscam alguns dias de descanso, convivendo diariamente com alertas de ataques aéreos e notícias de bombardeios nas proximidades.
Custo elevado surpreende visitantes
Além da insegurança provocada pela guerra, outro fator chama a atenção em Odessa: o alto custo da viagem. Segundo o relato, uma estadia de três dias para duas pessoas pode chegar a cerca de US$ 1.000, sem incluir gastos considerados de luxo.
Os restaurantes também registram forte movimento. Um jantar simples para duas pessoas custa, em média, US$ 50, e conseguir uma mesa costuma exigir reserva com vários dias de antecedência devido à grande procura.
Praias convivem com minas, sirenes e abrigos
Alguns trechos da praia de Odessa são protegidos contra minas marítimas
Mesmo com parte das praias reabertas oficialmente, o conflito permanece visível. Ao longo da orla existem placas alertando sobre o risco de minas marítimas, enquanto alguns trechos contam com quebra-mares para reduzir a chegada desses explosivos até a areia.
Durante os alertas de ataque, muitos banhistas permanecem na praia observando os mísseis cruzarem o céu, enquanto outros procuram abrigo. Em alguns casos, os refúgios ficam a vários minutos de caminhada, fazendo com que parte da população opte por permanecer no local.
Cidade reúne importância histórica e estratégica
Localizada na costa noroeste do Mar Negro, Odessa possui mais de um milhão de habitantes e abriga o maior porto marítimo da Ucrânia. A cidade também ocupa posição de destaque na história da antiga União Soviética e preserva forte influência da cultura russa, além de características arquitetônicas marcadas por influências francesas e italianas.
Entre os episódios históricos mais conhecidos estão o levante de 1905, eternizado no filme O Encouraçado Potemkin, e a resistência durante a Segunda Guerra Mundial, quando Odessa recebeu da União Soviética o título de cidade “heroica”.
Guerra acelera mudanças na identidade da cidade
Na terça-feira, a Rússia atacou o centro histórico de Odessa
Nos últimos anos, Odessa passou por um processo de transformação impulsionado pela Lei de Descolonização, aprovada em 2023. A legislação determinou a retirada de monumentos e referências ligadas ao período imperial russo, além da mudança de nomes de ruas e espaços públicos.
Embora o idioma russo continue sendo amplamente utilizado pelos moradores, cresce o incentivo ao uso da língua ucraniana e à valorização da identidade nacional. Sobre esse processo, o governador da região de Odessa, Oleh Kiper, afirmou à BBC:
“O inimigo está fazendo muito mais do que nós para transformar uma cidade de língua russa em uma cidade ucraniana.”
E acrescentou:
“Está obrigando as pessoas a entender quem são os russos e se realmente precisamos deles.”
Mesmo convivendo diariamente com cortes de energia, sirenes, ataques aéreos e a ameaça constante de novos bombardeios, Odessa segue preservando parte de sua rotina. Entre praias movimentadas, apresentações de músicos de rua e uma intensa vida cultural, a cidade continua sendo um dos símbolos da resistência ucraniana diante dos desafios impostos pela guerra.





