Wagner Moura, Fernando Meirelles e Petra Costa assinam carta sobre eleições no Brasil

Wagner Moura, Fernando Meirelles e Petra Costa assinam carta sobre eleições no Brasil

Manifesto reúne profissionais brasileiros ligados à Academia de Hollywood e pede atenção internacional ao segundo turno da eleição presidencial, com alertas sobre democracia, liberdade de expressão e políticas culturais.

Um grupo de profissionais brasileiros do cinema divulgou uma carta aberta sobre o cenário político do país e o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Entre os signatários estão o ator Wagner Moura, os cineastas Fernando Meirelles e Petra Costa, além de outros nomes reconhecidos do audiovisual brasileiro.

O documento foi publicado pela revista norte-americana Variety e reúne membros brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, organização responsável pelo Oscar. A manifestação pede que a comunidade internacional acompanhe de perto o processo eleitoral brasileiro.

Carta aponta preocupações com o cenário político

No texto, os profissionais afirmam estar preocupados com o ambiente político nacional e mencionam possíveis ameaças às normas democráticas. A carta também solicita apuração transparente de denúncias de eventual interferência estrangeira no processo eleitoral.

Outro ponto abordado é a circulação de conteúdos políticos nas plataformas digitais. Os signatários defendem maior atenção da imprensa internacional e das instituições responsáveis ​​pela verificação das denúncias mencionadas no documento.

As declarações apresentadas no manifesto representam a posição de seus autores e dependem de apuração independente para que cada caso seja confirmado.

Propostas políticas entram no debate

A carta também questionava propostas atribuídas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, incluindo a ideia de reescrever a Constituição Federal de 1988. Para os signatários, mudanças dessa dimensão exigem atenção pelo impacto que podem ter sobre as instituições democráticas.

O documento ainda menciona o histórico do governo de Jair Bolsonaro, pai do candidato, especialmente em relação às políticas culturais e às condições de funcionamento do setor audiovisual durante sua administração.

Os autores relacionam-se com a defesa das instituições democráticas à proteção da liberdade de expressão e ao funcionamento independente das organizações públicas.

O audiovisual brasileiro também está em pauta

Além da questão eleitoral, os profissionais destacam a importância das políticas públicas para a produção cultural. A carta relembra medidas adotadas durante o governo anterior, como a extinção do Ministério da Cultura e as mudanças no financiamento do setor audiovisual.

Na avaliação dos signatários, a continuidade dos mecanismos de apoio à produção nacional é importante para preservar a diversidade cultural, a liberdade artística e a sustentabilidade da indústria cinematográfica brasileira.

Quem o documento?

Além de Wagner Moura, Fernando Meirelles e Petra Costa, a carta reúne nomes como Kleber Mendonça Filho, Sônia Braga, Alice Braga, Anna Muylaert, Gabriel Mascaro, Karim Aïnouz e Rodrigo Teixeira, produtor do filme Ainda Estou Aqui .

A manifestação amplia o debate sobre a participação de artistas e profissionais da cultura em discussão política. Ao recorrer a uma publicação internacional, os signatários buscam levar suas preocupações para além do público brasileiro.

O documento termina com um apelo à imprensa internacional para que acompanhem as eleições com rigor e às autoridades competentes para que investiguem as denúncias de forma independente.